Gratidão, louvor a Deus pela Estrela d´Alva
prenúncio de luz - cores ao amnhecer.
Oro, ante contrastes da terra do Seridó:
da janela,canto a natureza para agradecer
a Deus - Pico do Tororó, Sant´Ana, devoção
primeira do que fincaram marcas de poder.
Louvor a Deus e às belezas da terra
- cactus espinhentos e sombras do juazeiro
cardeiro em flor, tamarineiras pelos caminhos
ofertando sombra e frescor ao caminheiro!
Olho os céus, faço uma prece de joelhos:
- meu Deus, mande chuva o ano inteiro!
Oh Deus, do chão o minério acabou
sumiram as flores amarelas do algodão!
Oh Deus, proteja o homem sertanejo:
dê-lhe coragem, força, amor no coração,
dê-lhe saúde, paz, Luz - mostrando
seus caminhos -, semelhante à oração!
Louvo a Deus, pelas serras aniladas
vento quente varrendo pedras, varrendo chão!
Louvo a Deus, pela Pedra do Navio-Cruzeiro,
Festa do Agricultor, da Imaculada Conceição!
Pelo Cristo-Rei, nos abraçando
- agradeço pela Fé, pelo Amor no coração!
De cactus brotam flores - as do cardeiro
tal qual estrelas nos alvores do sertão!
Do facheiro aveludado, espinhos rogam aos céus
o milagre da chuva, semelhante a oração!
Meu Deus! Agradeço compungida, esse milagre:
águas do céu, águas da terra pra banhar meu coração!
(Poema elaborado em homenagem à Festa de Sant´Ana de Currais Novos).
sábado, 4 de agosto de 2012
PARA SEMPRE, Carlos Drumond de Andrade
Por que Deus permite que as mães vão embora?
Mãe não tem limite, é tempo sem hora,
Luz que não se apaga quando sopra o vento
e a chuva desaba, veludo escondido
na pele enrugada, água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve
e passa sem deixar vestígio.
Fosse eu o Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre
junto de seu filho e ele, velho embora,
será pequenino
Feito grão de milho.
(Socializo este belíssimo poema de Drumond para uma reflexão com Mães e Filhos deste Brasil. Meu abraço, Maria José).
Mãe não tem limite, é tempo sem hora,
Luz que não se apaga quando sopra o vento
e a chuva desaba, veludo escondido
na pele enrugada, água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve
e passa sem deixar vestígio.
Fosse eu o Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre
junto de seu filho e ele, velho embora,
será pequenino
Feito grão de milho.
(Socializo este belíssimo poema de Drumond para uma reflexão com Mães e Filhos deste Brasil. Meu abraço, Maria José).
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Minha casa
aos amigos
Minha casa, tem cheiro de mim
parece comigo. Tem flores e quadros
sinos de vento tinindo, tinindo
tal cadência de cabras marcando
compasso de volta ao curral
à tardinha, chegando.
- Os sinos tocam: pode entrar.
- Mas, antes, tire os sapatos
e dexe-os atrás da porta
para a sala não sujar.
- A casa é sua, pode na sala sentar.
Fique a vontade, para as fotos olhar.
- As mágoas, deixe-as lá fora
para o vento maroto levar.
Junte os segredos aos meus,
guardando-os em partes iguais
perto do vaso de flores,
para sempre relembrar.
-Os poemas, pode ler, se quizer:
versos para de amor falar.
- Ao sair, nunca esqueça:
falamos dos sonhos mais lindos,
e tristezas, é bom apagar.
- Sim, não esqueça dos sapatos calçar!
- Retratos de amores ausentes,
em meu quarto, é bom olhar.
Bolsas, colares de cores à mostra
e um espelho para me arrumar.
Jesus, Santa Rita e a Mãe dos Aflitos
são para à tarde o Terço rezar!
Minha casa, tem cheiro de mim
parece comigo. Tem flores e quadros
sinos de vento tinindo, tinindo
tal cadência de cabras marcando
compasso de volta ao curral
à tardinha, chegando.
- Os sinos tocam: pode entrar.
- Mas, antes, tire os sapatos
e dexe-os atrás da porta
para a sala não sujar.
- A casa é sua, pode na sala sentar.
Fique a vontade, para as fotos olhar.
- As mágoas, deixe-as lá fora
para o vento maroto levar.
Junte os segredos aos meus,
guardando-os em partes iguais
perto do vaso de flores,
para sempre relembrar.
-Os poemas, pode ler, se quizer:
versos para de amor falar.
- Ao sair, nunca esqueça:
falamos dos sonhos mais lindos,
e tristezas, é bom apagar.
- Sim, não esqueça dos sapatos calçar!
- Retratos de amores ausentes,
em meu quarto, é bom olhar.
Bolsas, colares de cores à mostra
e um espelho para me arrumar.
Jesus, Santa Rita e a Mãe dos Aflitos
são para à tarde o Terço rezar!
Encontro inesperado
Na tarde tão distante
teu abraço Pai, tornou-me frágil
ínfima para mudar meu destino...
À noite, as estrelas confundiram-me:
rolou pranto em minha face.
teu abraço Pai, tornou-me frágil
ínfima para mudar meu destino...
À noite, as estrelas confundiram-me:
rolou pranto em minha face.
domingo, 8 de janeiro de 2012
AQUARELA
Todos ainda dormem.
E o sereno da manhã nascitura
veste de branco
(como num instante úmico)
o verde dos roçados bordados
de flores amarelas
respirando, de longe, o ar
que das serras desce.
E folhas secas
enroladas pelo vento andarilho
forram os caminhos quentes da tarde
minorando as dores e a solidão
ao retorno do homem sertanejo.
E o sereno da manhã nascitura
veste de branco
(como num instante úmico)
o verde dos roçados bordados
de flores amarelas
respirando, de longe, o ar
que das serras desce.
E folhas secas
enroladas pelo vento andarilho
forram os caminhos quentes da tarde
minorando as dores e a solidão
ao retorno do homem sertanejo.
sábado, 7 de janeiro de 2012
QUANDO MEU NATAL CHEGOU?
Quando meu Natal chegou?
Não lembro órgão tocando
nem vozes sonoras em festa
na Matriz, sinos bimbalhando!
Não gravei cânticos das Lapinhas
nem imagens alegres de ceias.
No Natal, apenas, voz de Mamãe
chamando todos a dormir.
No outro dia, chinelinhas
de arrasto se enfeitaram com
bebés de celulóide, bonecas de pano
e um punhado de confeitos coloridos...
Não lembro órgão tocando
nem vozes sonoras em festa
na Matriz, sinos bimbalhando!
Não gravei cânticos das Lapinhas
nem imagens alegres de ceias.
No Natal, apenas, voz de Mamãe
chamando todos a dormir.
No outro dia, chinelinhas
de arrasto se enfeitaram com
bebés de celulóide, bonecas de pano
e um punhado de confeitos coloridos...
quarta-feira, 8 de junho de 2011
VISÃO
Ví-te ao longe,
caminhavas para mim.
Olhei-te outra vez. A porta azul rangeu.
Esperei teus afagos, teus abraços.
Procurei-te, não te encontrei,
a escuridão da noite
me envolvia. Ventos frios sopravam
vindos das serras azuis. Era a saudade,
apenas, o amor que ficou.
caminhavas para mim.
Olhei-te outra vez. A porta azul rangeu.
Esperei teus afagos, teus abraços.
Procurei-te, não te encontrei,
a escuridão da noite
me envolvia. Ventos frios sopravam
vindos das serras azuis. Era a saudade,
apenas, o amor que ficou.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Chorar
Como chorar
se os rios nascentes de meus olhos
secaram suas águas?
Mágoa, saudade, solidão
enrijeceram as veredas
de meu coração.
se os rios nascentes de meus olhos
secaram suas águas?
Mágoa, saudade, solidão
enrijeceram as veredas
de meu coração.
Aos que amam
Tantas palavras desenhadas,
tantas ouvi.
Tantos risos, tantas cantigas cantadas
tanto amor, eu percebi.
Tanta emoção, tanto bater do coração
mas o teu, eu não senti.
tantas ouvi.
Tantos risos, tantas cantigas cantadas
tanto amor, eu percebi.
Tanta emoção, tanto bater do coração
mas o teu, eu não senti.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Retrato
a Zila (in memórian)
Em caixa guardado
sozinha furtei
retrato amado
pra ele olhei.
A vejo de perto
de olhos tristonhos
olheiras pintadas
escondem seus sonhos.
Cabelos sedosos
nos ombros caindo
contornam a face
amada - que lindo!
Seu vulto menina
faceiro, risonho
- embora bem longe
falava de sonho.
Fecho meus olhos:
de musgos molhada
vejo outra face
no mar encantad!
Em caixa guardado
sozinha furtei
retrato amado
pra ele olhei.
A vejo de perto
de olhos tristonhos
olheiras pintadas
escondem seus sonhos.
Cabelos sedosos
nos ombros caindo
contornam a face
amada - que lindo!
Seu vulto menina
faceiro, risonho
- embora bem longe
falava de sonho.
Fecho meus olhos:
de musgos molhada
vejo outra face
no mar encantad!
Tributo a Zila
Se você estivesse entre nós, eu cantaria uma canção, como seu canto de amor à terra, com versos de flor do campo; faria ume coroa de girassóis amarelos e do vermelho do milharal em flor, para lhe adornar... Mas, "procuro em vão os milharais vermelhos, de vermelhas papoulas adornando as vaidosas tranças das espigas, bonecas brancas, minha meninice"...que ficou distante de nós, escorregou nas águas, voou com as palavras, perdeu-se no tempo... [...]
Se você estivesse esperado mais, teria visto do alto de sua janela, naquela manhã, que a chuva estava com seu véu finíssimo prestes a escorregar das nuvens, e o sol continuava oculto. O mar, então, não recebia seus raios coloridos, cheios de magia e encantamento... nem suas ondas beijavam as areias, languidamente... A suave brisa do mar estava fria e as areias molhadas - antes quentes e fofinhas -, não ofertavam o lugar ideal ao exercício de seu corpo e de sua mente, em tempos de conversas com versos... Mas, você estava ansiosa por liberdade - pelo passeio nas areias da praia; pelo encontro matinal com seus amigos-poetas; pelo abraço à imensidão do mar e pela suavidade e carinho de suas águas ecorregando em seu corpo...
E você partiu cheia de graça antecipada. Sua alma, impregnada de lirismo, em canto de amor ao mar, como você anunciou em sua canção: "Quero abraçar, na fuga, o pensamento da brisa, das areias, dos sargarços; quero partir levando nos meus braços a paisagem que bebo no momento". E agora, o sussurro de sua voz: "Empossei-me dos caminhos convergentes para o mar... Fui areia, agora búzios chamando os ventos do mar... Agora nascida estrela, algas, recifes coral, não me contentam areias nem me prende litoral... Sou como o sal das salinas pois fui nascida no mar"...
E junto aos irmãos, à família, aos amigos, à natureza - parceiros de seu caminhar no mundo - minha voz se eleva neste canto de amor!
ZILA, DEUS LHE ABENÇOE!
(Texto publicado em 20 de outubro de 2008, no Diário de Natal, atualizado em outubro de 2009,
homenageando minha irmã Zila Mamede, pela data de 13 de dezembro de 1985, quando o mar a levou de nosso convívio).
Se você estivesse esperado mais, teria visto do alto de sua janela, naquela manhã, que a chuva estava com seu véu finíssimo prestes a escorregar das nuvens, e o sol continuava oculto. O mar, então, não recebia seus raios coloridos, cheios de magia e encantamento... nem suas ondas beijavam as areias, languidamente... A suave brisa do mar estava fria e as areias molhadas - antes quentes e fofinhas -, não ofertavam o lugar ideal ao exercício de seu corpo e de sua mente, em tempos de conversas com versos... Mas, você estava ansiosa por liberdade - pelo passeio nas areias da praia; pelo encontro matinal com seus amigos-poetas; pelo abraço à imensidão do mar e pela suavidade e carinho de suas águas ecorregando em seu corpo...
E você partiu cheia de graça antecipada. Sua alma, impregnada de lirismo, em canto de amor ao mar, como você anunciou em sua canção: "Quero abraçar, na fuga, o pensamento da brisa, das areias, dos sargarços; quero partir levando nos meus braços a paisagem que bebo no momento". E agora, o sussurro de sua voz: "Empossei-me dos caminhos convergentes para o mar... Fui areia, agora búzios chamando os ventos do mar... Agora nascida estrela, algas, recifes coral, não me contentam areias nem me prende litoral... Sou como o sal das salinas pois fui nascida no mar"...
E junto aos irmãos, à família, aos amigos, à natureza - parceiros de seu caminhar no mundo - minha voz se eleva neste canto de amor!
ZILA, DEUS LHE ABENÇOE!
(Texto publicado em 20 de outubro de 2008, no Diário de Natal, atualizado em outubro de 2009,
homenageando minha irmã Zila Mamede, pela data de 13 de dezembro de 1985, quando o mar a levou de nosso convívio).
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Dança da libélula
Percorri os caminhos das ciências dos homens
- animais, plantas, terra, água, céus, mas nunca vi
uma dança no ar. Mas, a libélula,de asas diáfanas, doiradas de sol,
movimentava-se como as bailarinas clássicas, rodopiando, rodopiando,
tal pião solto do fio... Sempre apressada, trocava de lugar através do mimetismo
entre caules e folhagens verdes e amarelas... Eram imagens
e ecos da disputa entre uma libélula e um sapo.
Ouvi falas de animais, de homens, do vento, da chuva
mas nunca escutei a música da dança da libélula
- bater de asas girando, girando com rapidez -, ao som
da orquestração de besouros e cigarras,
ludibriando sapo asqueroso com seus gestos.
Vi o teatro da natureza - serras azuis -, cortina verde
em palco cheio de flores, muitas flores, animais,
ouvindo-se o canto do sabiá. Mas, nunca vi uma libélula,
numa dança, em instantes, abrir incisão em talo verde:
aí, escondeu seus ovos da língua fina e afiada dum sapo.
Num labor constante, este queria roubar-lhe,
em ágeis movimentos, seu maior tesouro,
gerado do amor materno.
Somente o tempo e a ciência encontraram a conclusão...
(Postado por Maria José Mamede Galvão, inspirada em programa de televisão sobre o tema: "Coisas que meus olhos não alcançam").
- animais, plantas, terra, água, céus, mas nunca vi
uma dança no ar. Mas, a libélula,de asas diáfanas, doiradas de sol,
movimentava-se como as bailarinas clássicas, rodopiando, rodopiando,
tal pião solto do fio... Sempre apressada, trocava de lugar através do mimetismo
entre caules e folhagens verdes e amarelas... Eram imagens
e ecos da disputa entre uma libélula e um sapo.
Ouvi falas de animais, de homens, do vento, da chuva
mas nunca escutei a música da dança da libélula
- bater de asas girando, girando com rapidez -, ao som
da orquestração de besouros e cigarras,
ludibriando sapo asqueroso com seus gestos.
Vi o teatro da natureza - serras azuis -, cortina verde
em palco cheio de flores, muitas flores, animais,
ouvindo-se o canto do sabiá. Mas, nunca vi uma libélula,
numa dança, em instantes, abrir incisão em talo verde:
aí, escondeu seus ovos da língua fina e afiada dum sapo.
Num labor constante, este queria roubar-lhe,
em ágeis movimentos, seu maior tesouro,
gerado do amor materno.
Somente o tempo e a ciência encontraram a conclusão...
(Postado por Maria José Mamede Galvão, inspirada em programa de televisão sobre o tema: "Coisas que meus olhos não alcançam").
sábado, 9 de outubro de 2010
Banho de estrelas
Ontem a lua não apareceu.
Na calçada
conversamos e tomamos vinho
até tarde, sob as estrelas
que ampliaram sua luz
para nos banhar!
Na calçada
conversamos e tomamos vinho
até tarde, sob as estrelas
que ampliaram sua luz
para nos banhar!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Imagens
Todos ainda dormem.
E o sereno da manhã nascitura
veste de branco
(como num instante único)
o verde dos roçados bordados
de flores amarelas
respirando, de longe
o ar que das serras desce.
E folhas secas
enroladas pelo vento andarilho
forram os caminhos quentes da tarde
minorando as dores e a solidão dos homens
no retorno do trabalho sertanejo.
E o sereno da manhã nascitura
veste de branco
(como num instante único)
o verde dos roçados bordados
de flores amarelas
respirando, de longe
o ar que das serras desce.
E folhas secas
enroladas pelo vento andarilho
forram os caminhos quentes da tarde
minorando as dores e a solidão dos homens
no retorno do trabalho sertanejo.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Poema; Palmira Wanderley
Clara a manhã de ouro desfia
A meada de luz para tecer o dia.
Já a estrela da Alva tão formosa e boa
Terminara a tarefa de fiar,
Nas derradeiras flores de estiagem,
A toalha do altar,
Para a boda selvagem
Do cajueiro em flor e da lagoa...
Ao longe, os morros verdes,
Embebidos na luz da manhã cor de rosa,
Mostraram ao sol as flores da grinalda
Da noiva casta, linda e venturosa.
A meada de luz para tecer o dia.
Já a estrela da Alva tão formosa e boa
Terminara a tarefa de fiar,
Nas derradeiras flores de estiagem,
A toalha do altar,
Para a boda selvagem
Do cajueiro em flor e da lagoa...
Ao longe, os morros verdes,
Embebidos na luz da manhã cor de rosa,
Mostraram ao sol as flores da grinalda
Da noiva casta, linda e venturosa.
domingo, 12 de setembro de 2010
BANHO DE LUA
A lua continua sua incursão pela natureza. Não posso vê-la no momento. Naturalmente, está cumprindo a missão que lhe foi destinada: vencendo, dialeticamente, sua trajetória num 'contínuo' circular de altos e baixos, de claros e escuros, de luzes e sombras.
Por isso, por esperá-la no cumprimento dessa missão, não coloquei minha cadeira na calçada da casa onde moro. Esses momentos são especiais. Coletivos, de múltiplos espaços, Hoje, não há momentos, apenas, para reviver tradições e costumes sertanejos. Neste momento, além da escuridão, há muito barulho na cidade, afetando minha rua. Há festa com dança e música, há buzinaços, há roncos de motores dos automóveis, há gritos de euforias dos homens e mulheres, há sons de pagodes, axés com batidas originariamente diversas, em tambores e tamborins.
E a noite vestida de negro, contaminada por esses sons espalhados pelos ventos, não é propícia a aconchegos nas calçadas. Alguns, solitários, costumeiramente, arriscam-se a balançar-se em sua cadeiras; outros, preferem esperar o retorno do brilho da lua, como eu.
Nesse retorno à tradição, as calçadas revestem-se de luzes - um misto de prazer e sedução -, quando em noites do banho dourado da lua. Seus raios diáfanos, claros, permitem-nos avistar, de longe, as pessoas em grupos pelas suas calçadas, participantes dos saraus de poesias e canções, de risos, de falas, de abraços, de alegria e saudade, enfim, de emoções diversas.
E, ainda, é possível cumprimentar e abraçar os que caminham pela rua - 'os passantes' -, aqueles que desejariam, também, estar ali, participando da homogeneidade do grupo, naquele aconchego singular: recordando fatos do passado, fazendo planos, contando de suas esperanças, vitórias ou de suas desventuras, enfim, trocando idéias, contando 'causos', jogando conversa fora durante aquele banho de lua.
Ali, naqueles momentos singulares, às vezes, todos falam ao mesmo tempo... Quem sabe... Talvez, na próxima lua cheia, tudo tenha mudado... Porque, como disse um poeta: "A vida é, apenas, um instante que passa".
E num outro olhar por esta rua, de onde estou, diviso um rio que a corta banhando-a com suas águas - ora turbulentas, ora mansas -, lá no começo da ladeira, onde os homens e mulheres iniciaram a história desta cidade: esta foi uma de suas ruas nacituras, construídas pelo esforço dos que aqui chegaram, aqui viveram e cresceram, impregnados da Fé e Amor à Sant´Ana.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Caminhos
Andei. Andei pelos seus caminhos
cheios de sóis e luas. O vento forte
não desmanchou meus cabelos castanhos
longos e lisos. Nem a brisa da tarde
empurrando as maretas
dedilharam as cordas do meu coração.
Ouvia-se, apenas, o murmúrio do canto
da saudade: um sussurro
que se perdeu na areia...
cheios de sóis e luas. O vento forte
não desmanchou meus cabelos castanhos
longos e lisos. Nem a brisa da tarde
empurrando as maretas
dedilharam as cordas do meu coração.
Ouvia-se, apenas, o murmúrio do canto
da saudade: um sussurro
que se perdeu na areia...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Homenagem à Virgem Mãe da Guia
E por falar em Seridó
palpita meu coração,
rico, belo, hospitaleiro
antigo chão do meu chão
seu povo é corajoso, chei de Fé e tradição!
Tradição que se arraigou
com muita Fé, devoção
na Igreja amor dedicado
com muita satisfação
preces erguendo aos céus, sempre com emoção!
Emoção que me enternece
- meu coração prenuncia -
quando se fala na Festa
da Padroeira da Guia
a mais bela do lugar, amor e luz irradia!
E por falar em beleza,
também não vi outra igual,
na cidade do Acari
festa que não tem igual
vêm acarienses de longe, em vôo internacional!
De longe, os filhos daqui
dão sua contribuição
Acari logo se enfeita
ruas, praças, calçadão
durante toda a festa, grande é a animação!
Tem show na praça e leilão
traz saudade e nostalgia
tem também a Cavalgada
reúne filhos de da Guia
Festa do Agricultor, com muita cor e alegria!
Todos correm nessa hora
pra ver o desfile passar
acompanhar o povão
e ouvir a Banda tocar
dobrados de Seu Felinto e a todos abraçar!
E a Banda toca dobrados
de causar admiração
de manhã, na Alvorada
no Giro, com atenção
à noite, aos Cafus, todos com muita emoção!
Quem assim o escreveu
foi o Dr. Bianor
dizendo sobre o Acari
e o fez com muito amor
se não fosse o seu livro, não se sabia expor!
E neste momento alegre
propício para lembrar
quero chamar atenção
para a Banda ouvir tocar
subindo para a Igreja e a festa abrilhantar!
Ouve-se "Ernesto Galvão"
fazendo a alma chorar
um dobrado refinado
a Banda se esmera ao tocar
belo, também, é "Estréia", faz um circo relembrar!
Todo ano em agosto
tem nova programação
tem missa, banda na rua
tem novena e foguetão
e disputa de noitários, com muita agitação!
Do lado direito do rio,
a noite foi grande brilhou!
Muita gebte veio de longe
mais dinheiro arrecadou,
Acauã do outro lado, a sua noite cantou!
E cantou com muita alegria
o povo também encantou
homens de Fé - sua gente
girândula também soltou
na novena de Da Guia, a Banda, hino tocou!
E tocou em frente a Matriz
retreta bem afinada
depois saudou os amigos
por eles sendo louvada
diante de suas casas indo até à madrugada!
Satisfação é dizer
Acari é beleza, harmonia
seus filhos têm Fé, tradição
louvando a Virgem da Guia
na noite festiva de agosto, canto versos com alegria!
E em sua Matriz secular
temos que a Missa assistir
às 10 horas, 15 de agosto
vozes sopranos a ouvir
do coral "Amália Rodrigues", razão de seu existir!
No encerramento da Festa
tem a grande Procissão
de Nossa Senhora da Guia,
caminhos de oração
e a Banda desce tocando, com muita satisfação!
Nos grandes Bailes de Outrora
na alma, muita emoção
dos jovens cheios de vida
dançando com animação
samba, valsa e bolero, estremecendo o coração!
E amigo, ano após ano
dançarinos em caminhada
após o Baile da Festa
- ventos frios da madrugada -
nas largas ruas passando, uma emoção suacitada!
E atenção, minha gente
esta noite é de saudade
convido os amigos presentes
pra registrar felicidade
num livro sobre Acari, folhas tecendo amizade!
A tinta vem da quixaba
do coco, faz-se o tinteiro
o papel, da bananeira
todo verdinho, inteiro
a pena, do rabo do gato, um história com roteiro!
Agora, vocês dão licença
para eu, o livro escrever
depois que todos registrem
o que quiserem dizer:
pego na pena e escrevo, pra história não esquecer!
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