Todos ainda dormem.
E o sereno da manhã nascitura
veste de branco
(como num instante úmico)
o verde dos roçados bordados
de flores amarelas
respirando, de longe, o ar
que das serras desce.
E folhas secas
enroladas pelo vento andarilho
forram os caminhos quentes da tarde
minorando as dores e a solidão
ao retorno do homem sertanejo.
domingo, 8 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
QUANDO MEU NATAL CHEGOU?
Quando meu Natal chegou?
Não lembro órgão tocando
nem vozes sonoras em festa
na Matriz, sinos bimbalhando!
Não gravei cânticos das Lapinhas
nem imagens alegres de ceias.
No Natal, apenas, voz de Mamãe
chamando todos a dormir.
No outro dia, chinelinhas
de arrasto se enfeitaram com
bebés de celulóide, bonecas de pano
e um punhado de confeitos coloridos...
Não lembro órgão tocando
nem vozes sonoras em festa
na Matriz, sinos bimbalhando!
Não gravei cânticos das Lapinhas
nem imagens alegres de ceias.
No Natal, apenas, voz de Mamãe
chamando todos a dormir.
No outro dia, chinelinhas
de arrasto se enfeitaram com
bebés de celulóide, bonecas de pano
e um punhado de confeitos coloridos...
quarta-feira, 8 de junho de 2011
VISÃO
Ví-te ao longe,
caminhavas para mim.
Olhei-te outra vez. A porta azul rangeu.
Esperei teus afagos, teus abraços.
Procurei-te, não te encontrei,
a escuridão da noite
me envolvia. Ventos frios sopravam
vindos das serras azuis. Era a saudade,
apenas, o amor que ficou.
caminhavas para mim.
Olhei-te outra vez. A porta azul rangeu.
Esperei teus afagos, teus abraços.
Procurei-te, não te encontrei,
a escuridão da noite
me envolvia. Ventos frios sopravam
vindos das serras azuis. Era a saudade,
apenas, o amor que ficou.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Chorar
Como chorar
se os rios nascentes de meus olhos
secaram suas águas?
Mágoa, saudade, solidão
enrijeceram as veredas
de meu coração.
se os rios nascentes de meus olhos
secaram suas águas?
Mágoa, saudade, solidão
enrijeceram as veredas
de meu coração.
Aos que amam
Tantas palavras desenhadas,
tantas ouvi.
Tantos risos, tantas cantigas cantadas
tanto amor, eu percebi.
Tanta emoção, tanto bater do coração
mas o teu, eu não senti.
tantas ouvi.
Tantos risos, tantas cantigas cantadas
tanto amor, eu percebi.
Tanta emoção, tanto bater do coração
mas o teu, eu não senti.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Retrato
a Zila (in memórian)
Em caixa guardado
sozinha furtei
retrato amado
pra ele olhei.
A vejo de perto
de olhos tristonhos
olheiras pintadas
escondem seus sonhos.
Cabelos sedosos
nos ombros caindo
contornam a face
amada - que lindo!
Seu vulto menina
faceiro, risonho
- embora bem longe
falava de sonho.
Fecho meus olhos:
de musgos molhada
vejo outra face
no mar encantad!
Em caixa guardado
sozinha furtei
retrato amado
pra ele olhei.
A vejo de perto
de olhos tristonhos
olheiras pintadas
escondem seus sonhos.
Cabelos sedosos
nos ombros caindo
contornam a face
amada - que lindo!
Seu vulto menina
faceiro, risonho
- embora bem longe
falava de sonho.
Fecho meus olhos:
de musgos molhada
vejo outra face
no mar encantad!
Tributo a Zila
Se você estivesse entre nós, eu cantaria uma canção, como seu canto de amor à terra, com versos de flor do campo; faria ume coroa de girassóis amarelos e do vermelho do milharal em flor, para lhe adornar... Mas, "procuro em vão os milharais vermelhos, de vermelhas papoulas adornando as vaidosas tranças das espigas, bonecas brancas, minha meninice"...que ficou distante de nós, escorregou nas águas, voou com as palavras, perdeu-se no tempo... [...]
Se você estivesse esperado mais, teria visto do alto de sua janela, naquela manhã, que a chuva estava com seu véu finíssimo prestes a escorregar das nuvens, e o sol continuava oculto. O mar, então, não recebia seus raios coloridos, cheios de magia e encantamento... nem suas ondas beijavam as areias, languidamente... A suave brisa do mar estava fria e as areias molhadas - antes quentes e fofinhas -, não ofertavam o lugar ideal ao exercício de seu corpo e de sua mente, em tempos de conversas com versos... Mas, você estava ansiosa por liberdade - pelo passeio nas areias da praia; pelo encontro matinal com seus amigos-poetas; pelo abraço à imensidão do mar e pela suavidade e carinho de suas águas ecorregando em seu corpo...
E você partiu cheia de graça antecipada. Sua alma, impregnada de lirismo, em canto de amor ao mar, como você anunciou em sua canção: "Quero abraçar, na fuga, o pensamento da brisa, das areias, dos sargarços; quero partir levando nos meus braços a paisagem que bebo no momento". E agora, o sussurro de sua voz: "Empossei-me dos caminhos convergentes para o mar... Fui areia, agora búzios chamando os ventos do mar... Agora nascida estrela, algas, recifes coral, não me contentam areias nem me prende litoral... Sou como o sal das salinas pois fui nascida no mar"...
E junto aos irmãos, à família, aos amigos, à natureza - parceiros de seu caminhar no mundo - minha voz se eleva neste canto de amor!
ZILA, DEUS LHE ABENÇOE!
(Texto publicado em 20 de outubro de 2008, no Diário de Natal, atualizado em outubro de 2009,
homenageando minha irmã Zila Mamede, pela data de 13 de dezembro de 1985, quando o mar a levou de nosso convívio).
Se você estivesse esperado mais, teria visto do alto de sua janela, naquela manhã, que a chuva estava com seu véu finíssimo prestes a escorregar das nuvens, e o sol continuava oculto. O mar, então, não recebia seus raios coloridos, cheios de magia e encantamento... nem suas ondas beijavam as areias, languidamente... A suave brisa do mar estava fria e as areias molhadas - antes quentes e fofinhas -, não ofertavam o lugar ideal ao exercício de seu corpo e de sua mente, em tempos de conversas com versos... Mas, você estava ansiosa por liberdade - pelo passeio nas areias da praia; pelo encontro matinal com seus amigos-poetas; pelo abraço à imensidão do mar e pela suavidade e carinho de suas águas ecorregando em seu corpo...
E você partiu cheia de graça antecipada. Sua alma, impregnada de lirismo, em canto de amor ao mar, como você anunciou em sua canção: "Quero abraçar, na fuga, o pensamento da brisa, das areias, dos sargarços; quero partir levando nos meus braços a paisagem que bebo no momento". E agora, o sussurro de sua voz: "Empossei-me dos caminhos convergentes para o mar... Fui areia, agora búzios chamando os ventos do mar... Agora nascida estrela, algas, recifes coral, não me contentam areias nem me prende litoral... Sou como o sal das salinas pois fui nascida no mar"...
E junto aos irmãos, à família, aos amigos, à natureza - parceiros de seu caminhar no mundo - minha voz se eleva neste canto de amor!
ZILA, DEUS LHE ABENÇOE!
(Texto publicado em 20 de outubro de 2008, no Diário de Natal, atualizado em outubro de 2009,
homenageando minha irmã Zila Mamede, pela data de 13 de dezembro de 1985, quando o mar a levou de nosso convívio).
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